Hoje vamos falar do uso de tofacitinibe e granuloma cutâneo, na nossa série de artigos listada no post Inibidores de JAK vão mudar a dermatologia

Trago a publicação intitulada Two cases of lupus miliaris disseminatus faciei successfully treated with oral tofacitinib. 

Neste artigo os autores relatam dois casos de lupus miliaris disseminatus faciei tratados com tofacitinibe

Doença classicamente relacionada com a tuberculose e classificada no grupo das tuberculides, hoje ela é considerada como uma variante da rosácea granulomatosa, opinião que não é consensual. Quem quiser reler o tema segue um link de revisão – Lupus Miliaris Disseminatus Faciei.

Voltando ao artigo, os autores, utilizaram para o tratamento desta doença granulomatosa, nos dois casos relatados, o tofacitinibe um inibidor de JAK com maior seletividade para JAK 1 e JAK 2.

A fundamentação dos autores para usar o tofacitinibe foram relatos prévios. A lógica sempre foi do tofacitinibe e granuloma cutâneo. No caso dos outros relatos, o TOFA foi usado no tratamento de outras doenças granulomatosas. O ponto frágil é que não entraram em detalhes em relação aos mecanismos envolvidos na formação do granuloma nas distintas doenças.

Um segundo argumento, mais contundente na minha opinião, foi baseado em um relato de uso de ruxolitinibe tópico com resultado satisfatório.

Quando olho o artigo como um todo, lembro que são apenas dois relatos.

Destaco que se temos uma medicação capaz de desfazer granuloma, vamos precisar ficar de olho em doenças infecciosas crônicas como a tuberculose.

Chamo a atenção que nos dois casos relatados, as repostas não foram homogêneas, ou seja, mesmo em pessoas diagnosticadas com a mesma doença, não podemos prever um padrão de resposta.

Entendo que não podemos indicar como primeira escolha os inibidores de JAK, nem para os Lupus Miliaris Disseminatus Faciei nem para outras doenças granulomatosas não infecciosas.

Vamos continuar de olho nas publicações e vamos anotar esta possibilidade para casos refratários ao tratamento ou disseminados com contra-inidicação para o uso de corticoesteróides.

Fica porém o alento de sabermos que temos mais uma possibilidade para o tratamento das doenças granulomatosas.

E quem tiver experiência com o uso de inibidores de JAK nas doenças granulomatosas não infecciosas, compartilha e marca o pele digital

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